Jogos Olímpicos, um sistema completo de design

Essa semana começaram os Jogos Olímpicos 2012, em Londres. Como podemos acompanhar, a manifestação da marca aparece em diversas mídias e para isso foi feito um grande estudo para conceituar o sistema completo de design. Para comentar o que estamos visualizando hoje, é preciso conhecer um pouco da história do design neste evento mundial, me atrevo a trazer umas pinceladas sobre esse assunto.

Desde 1960 foi percebido que ter um planejamento completo para grandes eventos (e também grandes empresas) se tornou algo necessário, não só pela funcionalidade mas pela necessidade de informação de linguagem internacional. Algumas Olimpíadas tiveram seu destaque como a da Cidade do México (1968), de Munique (1972) e a de Los Angeles (1984) que foram fundamentais para a evolução dos sistemas gráficos.

Pedro Ramírez Vázquez foi o arquiteto que presidiu a Olimpíada no México, ele percebeu que era necessário um sistema de informações eficaz, que abrangesse orientações sobre o local, identidade visual e publicidade e assim chamou uma equipe para desenvolver um sistema de design para toda a cidade. A concepção de uma marca para os Jogos Olímpicos foi a base para evolução que viria posteriormente. Lance Wyman desenvolveu os cinco anéis que se mesclaram com o 68, e depois com a palavra Mexico, em seguida criou a padronagem que originou o logotipo e a tipografia. Para a sinalização ambiental exterior, Lance Wyman e o designer Peter Murdoch criaram um sistema em módulos com peças que combinavam sinalizações de direção e identificação com equipementos de mobiliário urbano como correios, telefones e bebedouros.

México (1968)

Em 1972, a Olimpíada de Munique teve como diretor de equipe o grande Otl Aicher que desenvolveu e implementou um programa mais formal e sistematizado. Foi feito um manual de identidade que definia os padrões para usar o logotipo, a tipografia (a eleita foi a Univers), as cores e o grid. Para cada esporte foi criado um pictograma, o qual trazia o movimento e o equipamento utilizado pelos atletas e estes pictos foram amplamente utilizados em impressos e placas de identificação.

Munique (1972)

E em 1984 a Olimpíada de Los Angeles carecia de subsídios governamentais e assim, foram utilizadas as instalações esportivas já existentes sendo acrescentadas poucas estruturas para os jogos. Neste caso foi necessário transformar temporariamente essas instalações existentes em algo unificado, para isso um escritório de arquitetura, o Jerde Partnership, e um de design ambiental, Sussman/Prejza & Co, colabararam no planejamento do respertório visual do evento.

Foi projetado um sistema de formas simples, básicas e adaptável conforme o espaço que seria utilizado. O sistema de sinalização de informações era coerente e ao mesmo tempo flexível.    

Los Angeles (1984)

A sinalização dos Jogos Olímpicos de 2012, que já foi comentada no Sinalizar, foram feitas estruturas de grande porte que trouxesse a idéia dos vetores e se encaixasse com o “look and feel” do projeto. Porém existem outros detalhes do projeto que podem ser comentados. Podemos começar pelos pictogramas, já que foi falado sobre a referência da criação de Otl Aicher, a primeira vez que um pictograma foi utilizado foi em 1948 e a partir de 1964, em Tóquio eles já se tornaram característicos desse evento e a cada edição das Olimpíadas um novo conjunto de pictos são desenhados conforme a linguagem e conceito de marca.

Os assentos do estádio mostram como um sistema pode ser bem aplicado em diversos lugares. O grid geométrico utilizado para a marca foi repassado para  as cores dos assentos conforme mostram as figuras.

     

O acabamento externo do estádio feito por Sophie Smallhorn é formado por banners de lona que vão do topo até o chão, com 300 fendas utilizadas como entradas. Cada banner possui uma cor diferente resultando numa paleta de 56 cores, dando um efeito de movimento.

Algumas aplicações de banners projetados pela FutureBrand.

Também projetada pela FutureBrand uma loja com produtos dos Jogos Olímpicos de Londres, que tem como objetivo refletir os valores da marca e teria que ser um espaço eficiente e viável de varejo, com estudos de fluxos e merchandising.

Por toda Londres banners divulgam e promovem os Jogos Olímpicos.

A sinalização de formas angulares estão espalhadas pelo parque, suas cores variam conforme o esporte, que além do ambiente também se manifestam nos bilhetes.

     

A equipe de 40 designers da LOCOG teve que produzir cerca de 250.000 itens de design para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2012. Mesmo os locais não esportivos receberam o mesmo tratamento, o caso abaixo é o centro da imprensa.

 

Pictogramas retroiluminados são utilizados para separar a imprensa de cada esporte.

Para saber mais sobre todo o projeto, a concepção da marca e suas aplicações acesse o blog Design Boom.

Em 1968 o jornal The New York Times escreveu: “Você pode ser analfabeto em todas as línguas e ainda assim se deslocar pelos ambientes, desde que não seja daltônico.”. O que simboliza como faz diferença um sistema de sinalização eficaz. O Brasil será sede de grandes eventos nos próximos anos, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, será que estamos preparados para montar estruturas de tamanha complexidade e entrar para a história do Design como nossos antecessores?

Anúncios

Uma resposta para “Jogos Olímpicos, um sistema completo de design

  1. Sem duvida o Brasil sempre esta prepara acredito no talento dos brasileiros e espero o sucesso em 2014 e 2016 ‘avante Brasil torso pela minha Patria!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s