Subte

O Subte foi um projeto realizado pelo escritório Diseño Shakespear, de Buenos Aires, Argentina. A situação do transporte em 1994, antes de iniciar o processo de redesenho radical que foi concluído em 2007, não era precisamente ideal. A sinalização implantada, um elemento tão importante para o funcionamento adequado de um sistema de transporte, se confundia no ruído semiótico criado pelas inúmeras mensagens gráficas da cidade.

A proposta de resgate de como as pessoas chamam o transporte – Subte – foi o embrião do projeto que deveria conservar a sua identidade urbana e social.


Dado o contexto socioeconômico e o território de atuação em que o projeto se desenvolve, o Subte, como megaprojeto, difere muito de outras obras de grande escala que foram encaradas anteriormente pelo escritório de Shakespear.

A proposta elaborada não é um programa de cartazes. Pelo contrário, é a geração de um canal de reação de comunicações que estabelece a voz e o tom do emissor para gerar a informação e a relação com o público. A sinalização é um conjunto de informações que organiza fluxos de trânsito  e que configuram a identidade da rede.

O transporte subterrâneo (metrô) está composto por duas dimensões básicas. Por um lado, a infraestrutura e tudo que ela implica,ou seja, a rede de serviços integrados. Por outro lado, a comunicação, que permite através de seus instrumentos funcionais, a compreensão e utilização do serviço por parte do público. Chamamos a segunda dimensão de rede semiótica.

A comunicação está materializada por um eficiente sistema de sinalização. A sinalização interna se baseia em um “cinturão” que ata a rede, o que estabelece um canal permanente, que costura de ponta a ponta a uma altura de 2,20 metros do nível do observador. A tipografia básica utilizada é a Frutiger dentro de suas variações, com suas características de sobriedade, praticidade e robustez, expressa visualmente todas as mensagens da rede para um amplo público segmentado. A adoção de cores diferentes para os acessos de cada linha, uma mudança radical, fez com que, no início, alguns descrevessem com expressões como que foi “colocado um arco-íris pela cidade”. Porém, a realização visual, assim como a habilidade e sensibilidade necessárias para conceber e produzir um sistema de sinalização requer a intervenção de um designer profissional, experiente e que sabe as dificuldades particulares da tridimensionalidade dos espaços públicos.

O mapa do Subte se diferencia do Underground, pois ele não é somente uma representação geométrica, e sim, é uma representação geográfica, permitindo que usuário pudesse ler o mapa da cidade e da rede em paralelo.
Além da comunicação para o fluxo dos usuários, o Subte possui espaços para comunicação de eventos que ocorrem pela cidade permitindo uma relação de contato maior entre o público e a cidade.

Os usuários de transportes subterrâneos descreveram o momento da saída como de pânico ou de dúvida, pois gera um incontrolável desejo de sair, o que é uma atitude natural e desenfreada. Para minimizar esta sensação, a informação deve estar clara e disponível. Foi com essa premissa que o projeto do Subte se baseou, e hoje é utilizado como referência internacional.

O escritório Diseño Shakespear é expert em design de sinalização e possui outros cases de sucesso. O livro “Señal de Diseño” é leitura obrigatória para profissionais desta área.

Referência: SHAKESPEAR, Ronald; Señal de Diseño: memoria de la práctica. Buenos Aires: Paidós, 2009.

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2 Respostas para “Subte

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