Projeto Acadêmico de Comunicação Visual para os Ônibus de Porto Alegre

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Atualmente o tema da mobilidade urbana está em destaque pela mídia brasileira com a proximidade de grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014, trazendo em discussão a qualidade dos serviços e a disponibilidade dos mesmos para seus usuários. Em vista disso, muitos projetos acadêmicos vêm se destacando por ser um assunto que tem um contexto social. Já foi publicado no Sinalizar, o projeto acadêmico de Redesenho do Mapa do Transporte Público de Porto Alegre, e tomando-o como referência, Lucas Benfica fez seu trabalho de conclusão de curso sobre a comunicação visual dos ônibus da mesma cidade. O seu projeto foi premiado como Menção Honrosa no Prêmio Bornancini 2012 da apDesign, na Categoria Projeto Conceito Estudante, um dos maiores prêmios do sul do Brasil de Design, mais uma vez demonstrando a importância de um projeto que pensa da qualidade de vida das pessoas que circulam pela cidade e como ela deve servir ao seu cidadão.

Porto Alegre possui cerca de 1.400.000 habitantes – de acordo com o CENSO 2010 – e destes, mais de um milhão utilizam os serviços de Transporte Coletivo via Ônibus. Com a chegada de um evento de grande porte (como a Copa do Mundo de Futebol de 2014), o Transporte Coletivo via ônibus deverá ser, de maneira mais excelente do que a atual, um serviço básico não somente em Porto Alegre, mas em todas as cidades onde milhares de pessoas necessitam locomover-se todos os dias.

Diretamente relacionada à este fato, está a maneira com que a informação comunicada pelos ônibus é transmitida aos usuários pois, a simples tarefa de pegar um ônibus pode acabar prejudicada se a informação sofrer algum tipo de ruído. 

O ônibus como forma de transporte público, foi criado em Nantes, na França, em 1826 por Stanislav Baudry, um proprietário de banheiros públicos que precisava facilitar o acesso dos clientes aos seus banheiros, que ficavam distantes do centro da cidade. Baudry fundou então um serviço de viaturas desempenhado por carroças, que ligava a região central do município à periférica Richebourg, onde estava instalado o seu negócio. O ônibus como transporte coletivo fez sucesso e Baudry decidiu largar o negócio de banhos públicos e investir exclusivamente na ideia do transporte. Diferentemente da empresa de Baudry, que acabou não dando certo, a ideia do ônibus como transporte coletivo foi um grande sucesso e se espalhou pelo mundo.

Na mesma cidade, existia um negociante de chapéus chamado Omnes e, como as casas não possuíam números, o comércio usava tabuletas para o conhecimento de seus fregueses. Assim, o Sr. Omnes, para atrair a freguesia, mandou escrever na frente de seu estabelecimento as palavras: “OMNES – OMNIBUS”, ou seja OMNES PARA TODOS. Como as carroças do Sr. Bandry saíam da frente desse estabelecimento, o povo associou a palavra omnibus a elas e o termo acabou pegando. Surgem assim os primeiros registros de comunicação visual utilizados no transporte coletivo.

 No Brasil, os ônibus surgem em 1837, com a chegada ao Rio de Janeiro dos ônibus de dois andares puxados por burros. Em Porto Alegre o surgimento do transporte via ônibus na cidade se dá por ela ser um excelente porto e, em virtude disso, dois negociantes locais abriram uma linha de bondes de tração animal entre o cais e o Menino Deus entre os anos de 1864 e 1872. No mesmo ano, surge a Carris com a autorização do imperador Dom Pedro II, via decreto.

Em 1956 é criada em Porto Alegre a Secretaria Municipal dos Transportes (SMT), reformulando o sistema, colocando o ônibus como veículo prioritário. As permissões para operar passam a ser concedidas por linha e apenas para empresas, e não mais para operadores individuais, estruturando o sistema que opera até hoje, divididos em 4 consórcios.

Em virtude da população crescente, do o aumento das linhas, dos locais atendidos pelos bondes e, posteriormente, pelos ônibus já operando em sistemas bem estruturados, foi tornando-se necessária a identificação dos veículos. As frotas foram ficando com uma padronização cromática e, além dos nomes das linhas, passou-se a utilizar a identificação numérica e também por nomes de bairros ou locais. Percebe-se que a necessidade da comunicação esteve sempre presente nas operações via ônibus. A cidade de Porto Alegre, mesmo tendo um bom e muito utilizado sistema de transporte público, necessita de uma evolução em sua comunicação visual.

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O objetivo do projeto foi padronizar, a partir dos conceitos de comunicação, os letreiros dos ônibus da cidade, utilizando uma tecnologia moderna que permita aplicá-los diretamente no vidro dianteiro, facilitando a comunicação para o usuário e, projetar um novo padrão visual para a comunicação global da frota de ônibus. A informação visual dos letreiros se utilizará de uma tela transparente flexível de LCD, para mostrar em tamanhos superiores e aos praticados atualmente, a informação aos usuários. Os consórcios serão diferenciados por cores, auxiliando no reconhecimento à longa distância e criando uma identidade para os ônibus de Porto Alegre.

Por tratar-se de um objeto em movimento, transmitir a informação em um ônibus é uma tarefa a ser melhor estudada e compreendida. O cidadão precisa observar, em primeiro lugar, a dianteira do ônibus pois é onde ele tem a única informação que o interessa, que é o itinerário e, quando possível, pontos finais e iniciais e pontos importantes para melhor localização ao longo do trajeto.

Além da visualização da parte dianteira, que traz a informação de maneira verbal, com textos e números, ser a mais importante, também precisa ser levada em conta a informação não verbal que, aparece em sua maioria nas laterais, indicando entradas e saídas e serviços dispostos no ônibus.

Inovar, padronizar e transformar – através de uma linguagem tipográfica, iconográfica e cromográfica  desenvolvida para o projeto – o ônibus em um elemento global de informação, foram os ponto explorados no projeto. Projetar sempre levando em conta a interação com as pessoas é essencial para que se obtenha sucesso em um produto e, para que este funcione por muito tempo, sem necessitar ajustes que demandem novos estudos, comprometendo o projeto inicial. Padronizações são necessárias na medida que se precise organização nos setores. Assim como acontece na comunicação viária, na sinalização de empresas ou em uma ambientação de shopping, com o transporte coletivo não é diferente. Todas estas manifestações interferem diretamente na qualidade vida das pessoas e, além disto o projeto visa buscar, juntamente com sua qualidade, a identidade para os ônibus de Porto Alegre, tornando-os ícone da cidade.

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Mais informações sobre o projeto nos links abaixo.

Apresentação Banca Final

Projeto no site do autor

Adaptado a partir da monografia do Trabalho de Conclusão de Lucas Camargo Benfica.

Fonte: BENFICA, Lucas Camargo. Projeto de Comunicação Visual para os Ônibus de Porto Alegre.
Porto Alegre: UniRitter, 2012.

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