Placas de orientação para pedestres: o caso Porto Alegre

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Semana passada uma notícia relacionada com sinalização estava rondando pela cidade de Porto Alegre, uma das cidades sedes da Copa do Mundo 2014. Um grupo conhecido com Shoot The Shit instalou pela cidade, em parceria com ex-alunos do Colégio Farroupilha, placas que fazem parte de uma iniciativa que surgiu nos Estados Unidos e já se espalhou por mais de 38 países conhecido como WalkYourCity que informa e incentiva pedestres para caminhar mais pelas ruas.

O Shoot The Shit é “um coletivo que realiza intervenções urbanas inusitadas com objetivo de inspirar outras pessoas, alertar para problemas de Porto Alegre e despertar um senso de cidadania e de cuidado com a cidade.”, como informado no site do grupo. Não é a primeira vez que promovem ações em Porto Alegre para tentar melhorar o dia-a-dia na cidade. Já criticaram a quantidade de buracos existentes nas ruas com o vídeo “Porto Alegre, Paraíso do Golf” que apareceu em rede nacional. Depois criaram adesivos para serem colados em paradas de ônibus para que as pessoas pudessem, de forma colaborativa, escrever que ônibus passavam por aquela parada. Estes adesivos foram retirados pela empresa de fiscalização, a EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), e em um segundo momento fizeram uma parceria na qual instalaram novamente os adesivos entitulando de “Que ônibus passa aqui“. Porém a notícia que estava circulando é que o diretor-presidente da EPTC informou que as placas de rua de sinalização para pedestres instaladas pelo grupo serão retiradas de circulação pois são irregulares. A ideia é considerada boa pela EPTC, que até sugeriu de novamente firmarem uma parceria para o futuro. As placas mostram a distância até importantes lugares da cidade – como o Parque da Redenção, o Hospital de Clínicas, o Parque Marinha, pontos importantes de Porto Alegre. Possuem também com um código QR, que pode ser escaneado através de um smartphone, fornecendo outras informações aos pedestres.

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O que precisamos ter em conta é que a EPTC está cumprindo o seu papel de órgão regulador. Todos concordamos que a sinalização da cidade é ineficaz e que necessita de mudanças. Agora, se cada pessoa começar a colpcar placas, cartazes e adesivos pelas ruas da cidade sem critério, a situação piora. É preciso pensar também no vandalismo, que é uma realidade apesar de entrar na esfera cultural, assim como aconteceu com os adesivos nas paradas de ônibus, nas quais é proibido colocar adesivos de qualquer tipo e a própria empresa, na parceria com o Shoot The Shit,
instalou adesivos que não foram bem interpretados pela população pois talvez não tenham compreendido que se tratava de um adesivo de sinalização a serviço do usuário.

Seguir a legislação de sinalização de trânsito pode ser equivocado, pois a sinalização para pedestres poderia assumir características especiais, que envolvem o desenho de informações que se adaptem a diferente realidades (cadeirantes, deficientes visuais, auditivos, etc.), e não só pensar a sinalização para quem dirige ou caminha normalmente pela calçada. É importante ressaltar que o modelo que temos hoje, não foi revisto em termos de princípios de design (acessibilidade, ergonomia, unidade, etc.). Projetos de sinalização para a cidade envolvem muitos recursos financeiros, com licitações, contratações, e pensar na manutenção deste projeto deve ser contabiliza. Pode-se implantar algo muito bem desenhado, perfeitamente construído e no dia seguinte já está danificado (como já aconteceu com uma estação do catamarã). Se olharmos
para as estruturas atuais de mobiliário urbano, muitas são projetadas de forma mais simples justamente por essa necessidade de manutenção imediata e com custo baixo. Por isso, o projeto deve fazer essa equação, pensar em forma e materiais mais perenes sob um custo baixo em sua manutenção.

Segundo o designer especialista em sinalização, Douglas D’Agostini a solução é “criarmos uma legislação própria para a cidade, que contemple um amplo estudo de uso do mobiliário urbano, sem mudar códigos visuais consagrados, mas aperfeiçoando-os através de um re-design sob a óptica dos princípios de design, focado nos diversos usuários da cidade.”

Outra iniciativa interessante foi um site criado pelo ClicRBS sobre sinalização chamado “Você se acha em Porto Alegre?”, onde profissionais da área mostram suas opiniões, críticas e possíveis soluções.

A cidade precisa de um projeto de um sistema de mobiliário urbano e comunicação visual integrado que ajude o cidadão e os visitantes a usufruírem da cidade como um todo.

Toda iniciativa de alerta aos problemas existes é válida, quem sabe assim podemos mostrar aos órgãos responsáveis que a cidade pode melhorar e que possuímos profissionais formados e competentes na área para realizar um projeto desta magnitude.

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Uma resposta para “Placas de orientação para pedestres: o caso Porto Alegre

  1. Sobre os adesivos nas paradas de ônibus com espaço em branco à disposição da população para escrever os códigos das linhas que ali passam, existe um porém: quem garante que não seriam escritos códigos incorretos, linhas que não existem, ou vandalismo evidente?
    É melhor que o órgão responsável pelo transporte em Porto Alegre providencie a colocação dessas placas, com as linhas já impressas.
    Guilherme M. – funcionário público e busólogo.

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