Afinal, o que tu faz?

Por Susan von Ahn

Mais uma vez passei pela situação, o fornecedor de grama para o espaço que estamos montando me questionou “Afinal, o que tu faz? O que vai acontecer aqui?”, fiquei enrolando a maior parte do tempo, foi uma conversa complicada. Complicada, não porque estou insegura, não porque não sei formular uma síntese, eu poderia continuar falando muito mais sobre vários aspectos relevantes. É complicado porque na maior parte do tempo, estou introduzindo as pessoas a um campo que elas não sabiam que existia: Design Gráfico dos ambientes.

Desde que entrei no mundo arquitetura, sem saber eu estava fazendo isto, Design aplicado para os ambientes arquitetônicos. Deste PETiana na Universidade Federal de Pelotas, idealizava com o grupo não somente os eventos, com a criação do cartaz, a divulgação nas mídias, mas também a experiência que as pessoas teriam na FAURB. Pensávamos no cenário, em alguma performance, na iluminação, em elementos visuais relacionados a identidade do evento. Nos demais projetos da graduação, aplicando Wayfinding (Sinalização) nos ambientes relacionando ao macroprojeto. Só fui descobrir que estava fazendo EGD – Environmental Graphic Design (para os gringos) – quando fui morar em Porto Alegre. Posteriormente, foram 5 anos, aplicando design nos ambientes para clientes corporativos. Lá no escritório, diziam que eu visualizava o mundo através de imagens e desenhos. De fato, consigo me expressar melhor através de imagens gráficas do que falando. Então, desde que percebi isso, passei a amar a introdução das pessoas neste campo. E é por isso que estou escrevendo este texto agora, uma forma também de tornar acessível a mais pessoas.

EGD é um tipo de design que me tornei tão entusiasmada e apaixonada. Dá vontade de anunciar naqueles aviõenzinhos, que sobrevoam Canoas a todo instante, onde estamos vivendo hoje, “não invistam energia e grana com comunicação visual poluidora das cidades”. “Invistam na experiência para o seu público, com Design Gráfico aplicado para os ambientes arquitetônicos com o mesmo conceito de sua marca”. O Design Gráfico Ambiental é um incrível meio visual de dar vida a um espaço! Pode ser digital, físico e envolve qualquer combinação de seus sentidos. Em sua definição mais geral, o Design Gráfico Ambiental conecta pessoas a um lugar.

Agora uma pergunta a você que está lendo este texto: Já foste a algum lugar que achaste incrivelmente bacana e tens vontade de retornar lá? Mas afinal, o que te chamou atenção? Lá haviam cadeiras, talvez já vistas antes em outro lugar, havia pintura interessante das paredes, havia iluminação aconchegante, o atendente parecia seu amigo, a comida foi servida sobre uma mesa, que inclusive era de madeira de reuso, mas afinal por que um lugar que na sua essência era super simples, te faz ter vontade de voltar outras vezes? É porque provavelmente o espaço fora projetado com os mesmos propósitos da marca. Silenciosamente a arquitetura fala a mesma linguagem que o marketing fala nas mídias sociais e a mesma linguagem verbal do atendente.

Outra dúvida que pode estar em ti, “Mas ela está falando apenas de espaços comerciais?”
Não!
Qualquer espaço deve ser projetado com propósito. Generalizando:

Espaços da saúde querem confortar e curar.
Espaços educacionais querem inspirar ao conhecimento e serem reconhecidos.
Espaços do varejo querem ser atraentes e vender.
Espaços industriais querem confiabilidade no patrimônio e produzir.
Espaços residenciais querem a sua personalidade estética e vitalidade.

Agregados e estes aspectos mais gerais, os valores da marca, ou no caso se for residencial, sensações que os moradores gostariam de vivenciar. Para isto, cada elemento de comunicação visual, cada objeto de decoração deve trabalhar em conjunto para transmitir o sentimento que se deseja.

Então, se novamente perceberes que chegas a algum lugar e “WOW!” É porque provavelmente existiu um projeto e ainda existe um manual (escrito ou dito) que se segue. Ou se tua casa, é aquela que todos chegam e dizem “Tua casa é tão bacana, é a tua cara!” Ou se simplesmente não sabes dizer que sentimento é, mas em determinado o lugar é “Agradável aqui”. Não é porque é complicado responder ao fornecedor da grama, mas é porque há design no espaço.

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Compartilhando minha inquietude em cada projeto: Que mensagem ou história este espaço contará? Que história tu queres contar com teu espaço?

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